Kaleidoscópio Literário
                                a expressão de Kathleen Lessa
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Meu Diário
06/03/2014 11h03
A SINTONIA ENERGÉTICA (Centro de Estudos da Consciência)

 

[texto: Centro de Estudos da Consciência em Bioenergias, Comportamento e Espiritualidade ]


A pessoa que domina as próprias energias conscienciais tem o domínio completo de si mesmo (domínio dos próprios chacras) e do ambiente. Se uma pessoa enrubesce ao falar em público, significa perda do controle do chacra umbilical. Porém, quando se consegue trabalhar com todos os chacras não há dificuldades ao se expor ao público.

O ser humano cria bloqueios emocionais através dos vários traumas que sofre durante a vida, isto causa dificuldades na captação, na circulação e na exteriorização de energias através dos chacras. Aqueles que têm muitas dificuldades com as suas próprias energias são os que vampirizam outras pessoas, e por sua vez têm a energia roubada pelos assédios espirituais. Quem está carente permite que qualquer pessoa se acople a ela em busca de energia. Para não ter carência energética precisa-se estar muito equilibrado e auto resolvido.

Todas as pessoas realizam trocas energéticas, e a acoplagem áurica é um estado simpático com a aura de outra pessoa. Quando uma pessoa não gosta de outra a aura da mesma fica deformada evitando contato com a outra. Porém, quando a pessoa quer contato com outra, a aura desta se projeta para outra. A acoplagem áurica pode se dar a qualquer distância. Por exemplo, quando se está apaixonado, deslumbrado por alguém, consegue-se a conexão com a pessoa amada, mesmo que ela esteja longe e isto se chama acoplagem à distância. A outra pode perceber que houve a conexão através de imagens, pensamentos ou de uma vontade de ligar para a pessoa que a está evocando.
Se uma pessoa estiver com muita raiva de outra pessoa, a coloração da aura fica avermelhada. Quando uma pessoa grita com a outra, a outra atingida por estas energias, acelera os chacras e retorna a agressão. Neste momento, acabou de ocorrer uma acoplagem áurica indevida e se manteve a corrente da raiva. O último da cadeia da briga, quando há vários envolvidos, geralmente fica com as cargas energéticas densas da raiva. Por isto, é importante não aceitar a acoplagem áurica nestas situações. Se alguém está muito nervoso, pode-se aguardar a pessoa se acalmar e depois conversar sobre o assunto, isto faz a quebra da corrente da raiva.

A acoplagem acontece entre as pessoas que tem pensamentos, emoções, objetivos e sentimentos semelhantes. Quando se permite a troca energética, pode ser feita entre vários níveis de chacra. Se houver apenas um interesse sexual entre duas pessoas, a troca só ocorre através do chacra básico. Porém uma comunicação eficiente entre as pessoas requer uma troca em todos os níveis de chacras.

Numa boate em que todos estão trabalhando no chacra básico a acoplagem se faz por este chacra. Num hospital, as pessoas estão trabalhando com o chacra cardíaco.

A acoplagem também ocorre fora do corpo físico e pode ser mais forte. À noite, ao adormecer, pode haver o encontro com alguém com quem ocorreu um processo sedução na rua. Como geralmente a sedução envolve carências, ocorre o vampirismo e a desvitalização.

Há vários exemplos de acoplagem áurica no dia a dia, de assédios e as mudanças que podemos fazer para termos relacionamentos saudáveis.


Publicado por KATHLEEN LESSA em 06/03/2014 às 11h03
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04/03/2014 15h42
VISÃO DA VIDA (Luiz Maia)

 

Tenho a consciência de que o tempo urge. Preciso olhar, no rosto de quem eu prezo, a beleza que esqueci de ressaltar. Há em mim uma vontade imensa de prestar uma homenagem às pessoas que amo; a muitas que eu sequer conheço mas não sei como fazer. Elas já sabem do meu amor e do bem-querer por aquelas que me rodeiam, que gostam de mim.
Quero falar desse meu jeito de gostar da família, dos animais, da vida. Presto atenção em tudo que a natureza me diz pelo fato de vê-la como a razão do nosso existir. Nada melhor do que apreciar o fascínio que Ana tem pela leitura, seu zelo com os animais e com o trabalho que desempenha com brilhantismo. Preciso falar do olhar sereno e dos gestos simples de minha mãe.
Na infância eu tive medo do escuro, do raio, do trovão. Mas encontrei nos braços de minha mãe o abrigo acolhedor.
Já andei mundo afora, refiz caminhos, diminuí as passadas quando foi preciso parar. Amei a vida em doses homeopáticas, realizei planos, sonhei com o melhor para a espécie humana, mas confesso que nem sempre fui feliz. Já fui idealista, sofri desenganos, sobrevivi aos problemas quando muitos nem acreditavam mais em mim. Hoje, caminho a contemplar mais pores do sol. Aqui no meu canto calado, sinto-me como se eu fosse a madrugada que se despede de nós sem ser notada. Às vezes é preciso passar dos quarenta anos para só então compreender que o melhor da vida é poder passar despercebido neste mundo. É estar só sem aquele sentimento de solidão presente. Viver sem ter compromisso com agenda, horários; sem se preocupar com o que as pessoas venham a pensar sobre você. Pouco importa a impressão causada, a demora na fila, a comida atrasada, se vai chover ou fazer sol. Já está impregnada na pessoa a consciência de que tudo passa e que é preciso apenas viver.

 

LUIZ MAIA, poeta e cronista recifense.


Publicado por KATHLEEN LESSA em 04/03/2014 às 15h42
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02/03/2014 18h55
ODE "Segue o teu destino..." (Ricardo Reis)

 

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

 

Ricardo Reis, 1-7-1916 (um dos heterônimos de Fernando Pessoa)


Publicado por KATHLEEN LESSA em 02/03/2014 às 18h55
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07/02/2014 12h45
POBRES EMPOBRECIDOS (Raquel Moysés)
 
Contam-se aos milhões os pobres do mundo. Largados às ruas, abandonados em campos improdutivos, assolados pela seca ou alagados por enchentes. Doentes e desesperados, até enlouquecidos de fome e solidão. São homens e mulheres de todas as idades. Pequeninos nos braços das mães, velhos de rostos vincados pelo tempo que não oferece trégua ao seu penar.
 
Essa massa de humano sofrer também se esparrama por todos os cantos deste Brasil rico de pobrezas extremas. Na metropolitana capital de São Paulo é espantosa a densidade geográfica da miséria visível, enquanto a cidade propagandeia maravilhas ao se candidatar para sediar a Expo Universal 2020. A feira internacional com duração de seis meses e expectativa de 30 milhões de visitantes é o terceiro maior evento do mundo, ficando atrás apenas da Copa do Mundo e das Olimpíadas.

 

 
Para hospedar esses dois gigantescos eventos esportivos são construídos no país estádios reluzentes e enormes estruturas esportivas. Mas, como já aconteceu na África do sul, algum centavo de tudo o que virá desses megaeventos irá tocar a vida dos que esfolam suas peles nos asfaltos, calçadas e estradas de chão feitos de asperezas de pedra e cimento?
 
Em São Paulo, incontáveis miseráveis se esparramam por ruas, praças, viadutos, escadas e marquises de prédios públicos e comerciais. Jogados no lixo da prometida sociedade do bem-estar, quem cuida deles? Animais abandonados parecem merecer mais cuidado do que humanos largados à própria sorte. Quer dizer, nenhuma sorte.
 
As cercanias da majestosa catedral da Sé, com sua praça monumental, parece um lazareto a céu aberto. Tamanha a densidade de perdidos no dia e na noite. A mesma impressão se tem ao observar humanos sofrentes que se empilham à frente e nos arredores de prédios históricos como o Mosteiro de São Bento, o Pateo do Collegio (primeira construção da cidade de São Paulo), o largo de São Francisco (onde se abriga a histórica Faculdade de Direito), o Museu da Língua Portuguesa, a Pinacoteca, o Museu de São Paulo (Masp).
 
Em noite de espetáculo, eles se misturam aos que estacionam nas escadarias do Teatro Municipal, na hora do intervalo, para tomar ar fresco ou fumar cigarro. Alguns até arriscam entabular uma conversa sobre o que imaginam que se vê lá dentro do prédio imponente, mas logo espantam a freguesia do mundo da beleza e da arte.
 
No dia da abertura da exposição “Klumb: a Corte e o Brasil”, no Centro Caixa Cultural Sé, alguns deles entram livremente. O ingresso é “Catraca Livre”, ninguém paga. Vão se achegando uns poucos que ainda podem calçar sapatos rotos ou uns tênis rasgados, e vestir uma roupa que o tempo e a falta de onde lavar não destoam de todo dos apresentáveis visitantes da mostra.
 
Chegam discretos, quase a pedir perdão por compartilhar o mesmo ar com gente tão bem apessoada, a ouvir com atenção os comentários do curador da mostra. Partilham em silêncio as explicações e os copos de sucos tropicais que os garçons servem no saguão do templo de cultura.
 
Encaram com olhos ávidos as misteriosas fotos que despertam o olor dos tempos. A mostra expõe imagens captadas em meados do século XIX pelo alemão Revert Henry Klumb, fotógrafo da Casa Imperial. Retratam o Rio de Janeiro do século XIX, durante o segundo reinado, quando a cidade ainda era capital do Brasil. Depois de apreciar as fotos, alguns adentram a sala vizinha para ver “Gepetos de Praga”, mostra da tradição secular de criação e manipulação de marionetes da República Tcheca.
 
Com suas cobertas sujas e esfarrapadas, ocupam entradas de prédios habitados, no horário comercial, por elegantes rapaces do mundo financeiro que se concentram na Avenida Paulista. Sem lhes pedir licença, poluem com seus trastes velhos a imponente paisagem arquitetônica povoada de mármores, granitos, espelhos, vidros, aço escovado. Delimitam território com “cercas” de papelão, se apropriam de marquises e cantos onde constroem seu mundo paralelo.
 
Circulam nas vias do centro, ou fora delas, sempre com cobertas jogadas nos ombros. Com o próprio corpo protegem seu bem mais caro, o único abrigo que apara o frio nas instáveis noites paulistanas. Exaustos, enfraquecidos, entorpecidos, dormem, profundamente. Alguns, em posições insólitas, que fazem pensar ao mal que lhes deixou o corpo disforme. Às vezes adormecem aconchegados a algum cão errante ou a outro humano de igual destino.
 
Domingo de chuvisco intermitente. O Mosteiro de São Bento ecoa, na missa cantada, a dor dos séculos do canto gregoriano. A igreja majestosa está repleta de fiéis e observadores que acompanham a cerimônia oficiada pelos sacerdotes. Raça humana de todas as cores em caras que nem mais revelam a origem. Lá fora, os mesmos esquecidos dos homens e suas divindades.
“Cordeiro de deus que tira o pecado do mundo…”
 
Na prédica, o sacerdote fala do sacrifício do Messias para salvar a humanidade. À porta, acocorados ao chão, o sermão deve soar familiar para quem sempre ouviu de políticos de todas as cores e pastores de todos os credos a promessa de que outro mundo é possível na terra, mais provável no Além.
 
Quando o canto se eleva, intimamente solene, as vozes de doçura indizível por uns instantes talvez lhes afaguem o peito. Dilacerado pela herança de sofrimento intrincada na carne e espírito.
 
“O meu reino não é deste mundo…!” – avisa o sacerdote. Portanto não esperem justiça aqui! Promessa de vida eterna que ecoa vazia para os que têm uma existência de padecimento perene na Terra, para os que nem uma vida terrena vivem, jogados nas correntezas da incúria. Sem chão e sem teto, sem uma porta para abrir à noite e um lugar para chamar de seu.
 
Do predicador não se ouve palavra sobre os que comandam a invisível imolação cotidiana dos empobrecidos. Como a daquele homem enlouquecido de miséria que lança aos ares folhas de velhos jornais no Viaduto do Chá. Ou a daquele outro que dorme na esplanada da Catedral da Sé em posição inimaginável. Uma das pernas e os braços enrijecidos levantados como cruzes em estradas solitárias, assinalando a morte desigual. A imobilidade de um corpo humano depredado pelo descuido.
 
É porque não renunciaram ao pecado, como avisa o predicante, que eles vivem deserdados dos bens da Terra? É porque não são filhos da luz, mas herdeiros das trevas, que ninguém se importa com eles? É por que se arrastam nas ruas como larvas que infectam ares, águas e vidas bem vividas que são esquecidos? É por que enfeiam a paisagem rural com suas barracas de lona preta que os senhores das terras os empurram para o nada? Não é um absurdo estes homens e mulheres reivindicarem um chão onde plantar e ainda mancharem com seu sangue o solo de legítimos proprietários de terras sem fim?
 
Nada no sermão de domingo identifica os fiéis com aqueles corpos feios, mal-cheirosos, drogados, alcoolizados, jogados logo ali, nos cantos, como se mortos fossem e já apodrecessem na sua desgraça que ofende pela feiúra…
 
Perdoai a quem os tem ofendido? Livrai-os de todo o mal?
 
Aos ofendidos da Terra nem mesmo protocolar pedido de perdão. Aos pobres que sujam a paisagem e amedrontam os passantes sobram asco,repulsa, medo e desprezo.
 
Eles são o objeto indireto de um verbo intransitivo.
 
Chorai! Chorai! Depois dormi!
Venham os descansos veludosos
Vestir os vossos membros!… Descansai!
Ponde os lábios na terra! Ponde os olhos na terra!
Vossos beijos finais, vossas lágrimas primeiras
para a branca fecundação! (…)
Oh! Juvenilidades Auriverdes, meus irmãos: (…)
Diuturnamente cantareis e tombareis.
As rosas… As borboletas… Os orvalhos…
O todo-dia dos imolados sem razão…
Fechai vossos peitos! (…)
Venham os descansos veludosos
Vestir os vossos membros… Descansai!
Eu… os desertos… os Cains… a maldição…
 
(excerto de  Paulicéia Desvairada, Mário de Andrade)
 

Publicado por KATHLEEN LESSA em 07/02/2014 às 12h45
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06/02/2014 17h21
DESTINO E DESIGN (Marcos Beccari)

 

Uma ideia que sempre me encantou é o paradoxo do destino. Paradoxo porque o destino representa um “mundo” indiferente à nossa vontade e ao nosso livre-arbítrio, como se tudo aquilo que fazemos, por livre e espontânea vontade, já fosse inevitavelmente acontecer.

No entanto, o conceito de destino pode ser entendido de duas formas: como algo indeterminável ou como algo predeterminado. O destino indeterminável pressupõe que “quem lança os dados”, por assim dizer, é cego ou não é propriamente ninguém, apenas o acaso. O destino predeterminado, por outro lado, já estaria “escrito”, como se toda e qualquer escolha/esforço resultasse em um único fim.

Prefiro pensar num destino indeterminável, onde não há nada escrito e, sobretudo, nada que possa ser escrito. Somente assim o destino não implica em um único fim possível e nossa liberdade não é anulada por um universo cego e mecânico – ao contrário, ela atua criativamente por detrás desse universo. Para esclarecermos esta ideia, podemos recorrer à Nietzsche  e sua ideia de “paixão ao destino” (ou amor fatti).

Para Nietzsche, somos escravos de um destino cego que reaparece para nós em um contínuo retorno da sensação de agonia. Contudo, o problema não é este destino cego em si, mas sim a relação afetiva que temos com ele: temos medo da violência cega que o acaso implica ao anular todo o valor de nossa vontade consciente e nossa liberdade de escolha.

Esse medo, segundo Nietzsche, nos faria adoecer e perder a chance que é dançar em meio ao infinito processo de criação que o acaso possibilita. Seria somente quando amamos esta falta de sentido da vida (o destino indeterminável) que podemos nos salvar da agonia eterna.

“Dançar” significa, então, recuperar a atividade criativa diante de um mundo cego, fazendo-nos perceber que somos nós os criadores de sentido e que este sentido morre quando não estamos dançando.

O que eu quero dizer é: nossa vontade criativa somente se realiza com o reconhecimento do inevitável, ou seja, de tudo aquilo sobre o qual não temos controle.

Pensando em design, acho que esta ideia do inevitável é mais interessante do que a ideia de destino. Pois todos nós passamos, dia a dia, por situações que (predestinadas ou não) acontecem independentemente da nossa vontade e de nosso livre-arbítrio: acidentes, encontros inesperados, sentimentos espontâneos, pensamentos aleatórios, mortes, boas e más notícias e, enfim, tudo que fuja do nosso controle.

Frente a tais situações, somos convidados criar um sentido, como se fôssemos coautores do inevitável. De forma análoga, não temos total liberdade de criação em um projeto de Design, podemos apenas articular um sentido dentro de fatores inevitáveis. É partindo de tal pressuposto que eu tenho estudado métodos oraculares (como o Tarot ou o I-Ching) como sendo uma ferramenta em potencial ao processo criativo em Design.

Grosso modo, o Tarot e o I-Ching são jogos de adivinhação do futuro. Em um primeiro momento, as cartas (no Tarot) ou as moedas (no I-Ching) apontam uma situação inevitável ao indivíduo que as consulta (o consulente).

No entanto, o consulente é orientado a não simplesmente aceitar ou tentar mudar esta situação inevitável – ou seja, ele não deve posicionar-se de maneira passiva e nem ativa.

Ao invés disso, o consulente é convidado a encarar o inevitável enquanto possibilidade, como algo que solicita uma reação criativa.

É como se, pensando em artes marciais, estivéssemos redirecionando ao nosso adversário toda a força que ele investiu contra nós – para isso, não temos muita liberdade de ação, pois nosso movimento deve ser análogo ao dele.

Ou seja, para criarmos um sentido ao inevitável, nós apenas “aproveitamos” uma situação inicial, redirecionando-a para nossa vontade ou intenção, mas sem fundamentalmente alterá-la. Noutras palavras, basta que o sujeito saiba inscrever seus fins (vontade e intenção) numa trajetória inevitável, de modo que, em coautoria criativa, a intenção dele participe de forma “imperceptível” de uma situação inevitável.

Evidentemente, não se trata de uma tarefa simples e fácil. Mas podemos reconhecer que tal estratégia se aproxima mais de uma criação reativa do que de uma ação do querer.

Consequentemente, penso que o designer deve ser capaz de articular essa aparente ausência de liberdade no seio de seu processo criativo, de modo que um efeito compensador, jogando a seu favor, resulte em um sentido intencional e simultaneamente inevitável.

É mais ou menos assim que Jung caracteriza a noção de sincronicidade:

[...] de um lado, como um fator universal existente desde toda a eternidade [um fator inevitável] e, do outro, como a soma de inumeráveis atos individuais de criação que acontecem no tempo.

Os métodos oraculares, por sua vez, abarcam as maneiras como o ser humano expressa criativamente sua individualidade, ultrapassando-a.

Isso implica em uma práxis intencional que não pode ser reduzida ao livre-arbítrio e nem a um inevitável destino predeterminado, mas que incide necessariamente na forma de um discurso. E assim como uma cultura, uma ideologia ou um conjunto de normas ético-sociais, um projeto de Design, em maior ou menor grau, sempre constitui um discurso que nos orienta a agir diante do inevitável.

 

Referências Utilizadas:
- JUNG, C. G. A Dinâmica do Inconsciente. In: Obras Completas de C. G. Jung, vol. VIII/III. Petrópolis: Vozes, 1984.
- NIETZSCHE, F. Além do bem e do mal: prelúdio a uma filosofia do futuro. Trad. de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

 

 


Publicado por KATHLEEN LESSA em 06/02/2014 às 17h21
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