Kaleidoscópio Literário
                                a expressão de Kathleen Lessa
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Meu Diário
24/07/2015 23h59
A CARTA QUE EU SEI DE COR (Guilherme de Almeida)

 

E tu me escreves: - "Meu amor, minha saudade!
Há tanto tempo não te vejo: há quasi um dia;
estou tão longe: do outro lado da cidade...
Tive sonhos tão bons esta noite! Vem vê-los:
ainda estão nos meus olhos loucos de alegria.
Sabes? esta manhã cortei os meus cabelos.


Denunciavam-me tanto! E a ti também, meu poeta...
Que alívio! Tenho a sensação de haver cortado
relações com alguma amiguinha indiscreta.
Agora estamos mais a nosso gosto. Agora
o meu gosto será bem menos complicado
Para pôr o chapéu, quando me for embora...

Sinto-me tão feliz! Tive um riso sincero
ao meu espelho: e esse sorriso revelou-me
que o meu único mal é este bem que eu te quero..."

E quando chego ao fim da carta, sinto, vejo
que a minha boca toma a forma do teu nome:
a forma que ela tem quando vai dar um beijo...




Guilherme de Almeida, no livro  'Era uma vez...' 1922,
Casa Mayensa, São Paulo, SP 

 


Publicado por KATHLEEN LESSA em 24/07/2015 às 23h59
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