Kaleidoscópio Literário
a expressão de Kathleen Lessa
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Meu Diário
29/06/2010 00h26
APRENDER A SER MENOS ... (Fernanda M. Guimarães)

O texto suscitou-me interessante reflexão...É parecido comigo.
Quem sabe também com vocês.
Os grifos são meus.
 
 
                                    Aprender a ser menos...
 
 

Gosto do que me tira o fôlego. Venero o improvável, almejo o quase impossível. Sou qualquer coisa que ainda não inventaram, um produto que escapou da série, uma combinação de opostos que se harmonizam sei lá como ou por quê.
O meu coração é livre, mesmo amando tanto. A minha alma compõe-se de sorrisos largos e dores agudas.Tenho um ritmo que me complica, uma vontade que não passa, uma palavra que nunca dorme, viajo de extremo a extremo em segundos e a intensidade explode dentro de mim a todo o instante. Quero negar meus limites...
Queres um bom desafio?
Experimenta gostar de mim.
Não sou fácil, até coleciono inimigos. Quase nunca estou para ninguém, mudo de humor conforme a lua. Irrito-me facilmente, desinteresso-me à toa e sou a pessoa mais doce que tu já viste. Tenho o desassossego dentro de mim. E um par de asas que nunca deixo. Sou um pouco de tudo o que vejo e muito do que nunca vi. Vivo numa busca incessante pelas coisas e pessoas que ainda não encontrei, para tentar aliviar a saudade que sinto de tudo aquilo que desconheço. Sou alguma coisa entre o sol e a lua. Nem dia, nem noite: um fim de tarde! Caminho por entre cores e brilhos que não entendo, mudo de tom todos os dias. Ando como quem perde o norte, procuro como quem foge, do mundo, dos outros, de si... Não sei de quantas palavras me faço, nem sei em que versos me acabo. Sou aquilo que preciso ser, quando aquilo que eu quero ser já não me cabe mais... Às vezes perco sonhos e choro, logo eu, que amava sorrir!
Mas o que é mesmo bonito é essa coisa da vida, um dia quando menos se espera, superamo-nos. E chega mais perto de sermos, quem na verdade somos.
Há uma infinidade de palavras que se perdem entre os meus pensamentos, frustradas por não conseguirem, neste instante, descrever o que sinto, o que penso.

Até que ponto vale à pena ser intensa?
Eu preciso de aprender a ser menos, menos dramática, menos exagerada, menos intensa... Penso tanto, planeio tanto, sonho tanto, questiono-me tanto que fico tonta. E, por mais que eu pense, planeje, sonhe, questione-me, nem tudo sai exatamente da maneira que eu gostaria. Então, penso o quanto é importante, às vezes, puxarmos o freio com a mão.
Por favor, bloqueia-me o coração, cala-me o pensamento, dá-me uma droga forte para tranquilizar a minha alma. Porque eu preciso muito, eu preciso diminuir o ritmo, baixar o volume, andar na velocidade permitida, engatar a primeira, não atropelar quem chega, não tropeçar em mim mesma. Carrega-me no pause, deixa-me em stand by, eu não dou conta do meu coração que quer muito... Eu preciso sentir menos, sonhar menos, sofrer menos ainda, parar de pesar, de comparar, de projectar. Simplesmente parar e deixar que seja a vida a levar-me.
São muitos os caminhos mas, sem querer, certamente escolheremos o certo, por mais que não nos pareça.
Portanto, aqui estou. Apenas deixando o barco correr, a onda, a música me conduzirem... Nem sempre podemos assumir a direcção dos fatos que acontecem no nosso percurso. Acidentes, desvios, capotagens são inevitáveis. Mas servem-nos para voltar à pista sem medo da derrota. E sem a preocupação da vitória. Simplesmente, com o anseio de chegarmos inteiros. E assim, retomando a vida, levantando dos tombos, cicatrizando as feridas. Agora, de uma maneira diferente. Mais adulta, mais madura. Porém, menos...Intensa.
Sou apenas de tipo inesquecível, apesar de às vezes me achar uma porcaria. Sou como tu me vês, posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como me vês passar. E tu podes ver-me da forma que quiseres, que eu não vou fazer nenhum esforço para te contrariar.
Agora, não mais...
 

(Fernanda M. Guimarães - Portugal)
Publicado por KATHLEEN LESSA
em 29/06/2010 às 00h26
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